Sapo Brothers - Um jeito verde de Ser - Quadrinhos, desenhos animados e afins

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Casseta e Planeta


Caricatura do grupo via http://www.takox.com.br/

Lembro vagamente quando o Casseta e Planeta estreou o programa solo na Globo, uma vez por mês, no Terça Nobre - horário após a novela das oito, toda terça-feira, que exibia intercalado diferentes programas de humor. Revezavam com o Casseta o "Comédia da Vida Privada", baseado em contos do Veríssimo, entre outros produtos diversificados.

Até um conto do Stanislaw Ponte Preta, "A desinibida do Grajaú", entrou nesse espaço de experimentação - conto que foi refeito em 2010 na série As Cariocas - e que ocupou, novamente, as noites de terça.

Dentro estes programas, o Casseta foi o que imediatamente tornou-se sucesso - a ponto de uma participação dos integrantes no programa do Faustão, na época, fez o apresentador revelar que a emissora tinha, sim, interesse em transformar o programa deles em semanal - algo que eles ainda não se sentiam confortáveis para fazer.

E relembrando este programa, é possível traçar paralelo com quase todos os programas de humor que surgiram mais de uma década depois.

Ao ver as entrevistas sacanas do CQC a políticos, imediatamente lembro de quando, munidos de pá e picareta, dois integrantes do Casseta entravam pela esplanada dos Ministérios, em Brasília, pra desenterrar a caveira de burro que supunham estar amaldiçoando o lugar.

Até mesmo o apelo erótico de modelos seminuas chegou a passar pelo Casseta, assim como no caso do Pânico. Um striptease de uma modelo vestida como torneiro mecânico - e com a narração simulando o jeito de falar do Lula - ocuparam 5 minutos de um dos primeiros programas.  Outra referência direta da turma do Pânico são as oportunidades de zombar os populares, atividade contínua dos primórdios do Casseta.

Isso sem falar nas redublagens de filmes (Casseta e Planeta Pictures), gracejo que futuramente a MTV replicou com a turma do Hermes e Renato.

Histórico no humor o grupo tinha. Além de redatores do extinto - e até hoje relembrado - TV Pirata, também trabalharam - agora já diante das câmeras - no programa Dóris para Maiores.

Um dos primeiros momentos deste grupo diante das câmeras foi fazendo a cobertura de carnaval. Ao menos foi a primeira vez que me lembro de ter ouvido o nome "Casseta e Planeta", nas chamadas da Globo para o evento.

Influência Monty Phyton era facilmente percebida, embora a estrutura do programa trouxesse similaridade com o americano Saturday Night Lives - principalmente em quadros "fixos" como os anúncios dos produtos Tabajara e a sátira do noticiário (modelo que a MTV também replicou com sucesso em seu Furo MTV).

Cabe dizer que na TV, lembrando o Chacrinha, nada se cria, tudo se copia. Os Cassetas beberam de diversas fontes e dessa mistura fizeram algo com uma cara própria.

Assistíamos noticiários sempre atentos para qualquer assunto mais absurdo, e já imaginarmos imediatamente "o que o Casseta falaria sobre o assunto na terça-feira". Por vezes, ríamos por antecipação imaginando as piadas que surgiriam.

Durante toda a história o programa, eles mantiveram aquele humor juvenil, imaturo, que costumo tratar como "as piadas da quinta série". Duplos sentidos, a busca por deixar o "oponente" humilhado - para, logo em seguida, ser humilhado por ele também.

Além de toda a carga possível do anedatório popular. Piadas de paulistas, gaúchos, baianos... Esquetes menos elaboradas, mais rápidas, mais objetivas e por vezes, muito mais ácidas - a ponto do grupo ser "persona non grata" em algumas cidades país a fora.

Defitivamente, não faziam o "humor do bem". E isso se mostra também nas colunas que publicam em jornal, onde a escatologia e o humor de forte apelo sexual são constantes. 


http://xavierilustra.blogspot.com/

A morte do Bussunda

Muitos entenderam a morte do humorista como um baque fatal no grupo. Sem dúvida interferiu bastante na imagem do programa, e a falta do humorista, de longe o mais carismático, se fez sentir na audiência.

Mas a meu ver, o Casseta começou a trilhar um caminho de esvaziamento de sua qualidade quando, por conta da pressão do programa semanal, passou a se basear exageradamente em personagens fixos. O que muitos associam imediatamente ao humor do tipo Zorra Total e Praça é Nossa. A piada que caminha apenas para a repetição do bordão - defendido ferozmente por diretores da Globo como o "humor que funciona".

A despeito da rejeição que programas como Zorra Total e Praça é nossa causam no público mais "elitizado", ou que assim gostam de se definir, é inegável que o espaço junto a um público fiel - e numeroso - ainda existe.

E foi fácil notar que os Cassetas trilharam esse caminho "tradicional" do humor televisivo - e isso já acontecia com a presença do Bussunda, que interpretava o Marrentinho Carioca no pior time do mundo, ou o parceiro do Maçaranduba com as piadas do tipo "vou dar porrada".

Os policiais americanos, a cantora de axé, a dupla de funkeiros, o esquadrão de super heróis... Personagens que, não fosse pelo conteúdo um pouco mais "pesado", poderiam facilmente fazer parte de programas de humor da "velha guarda".

Mesmo assim, alguns momentos do grupo serão lembrados por muito tempo. A entrevista coletiva a Luana Piovani, quando de sua primeira participação no grupo. Bussunda fazendo o personagem Lula, pedindo mais uma cachacinha... Os trocadilhos com o então presidente Viajando Henrique Cardoso. O inesquecível Itamar que sempre perguntava se "é pro Fantástico?"

Isso sem contar as sátiras da novela - que por vezes me faziam assistir a novela só para entender as piadas, e que por muito tempo foram o principal atrativo do programa. Que não poupava nada da grade da emissora...

Talvez o programa não faça tanta falta hoje, já que seus filhotes em outras emissoras superam em irreverência o que  a estrutura "quadrada" da Globo não comporta.

Mas a reformulação que causaram no humor televisivo nacional se mostra ainda atual.

Não sei se terão fôlego para se reiventarem. Mas sem dúvida se tem um grupo capaz de fazê-lo são eles.

O jeito é esperar. E lembrar, com saudades, os grandes momentos... 



Escrito por Rafael B. às 10h13
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Sapo Brothers entrevistam o Papai Noel!



Escrito por Rafael B. às 16h41
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Animação da Turma VII do Criar

No Instituto Criar de Cinema, TV e Novas Mídias, onde leciono na oficina de Animação, a turma VII concebeu esse vídeo, na primeira atividade prática:

Divulgo aqui, orgulhoso do resultado.



Escrito por Rafael B. às 08h20
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