Fiquei bem feliz com a indicação ao vídeo. E a reação principalmente do Felipe Andreoli pelo Twitter, que gostou e também repassou.
Em um dia, mais de 4 mil visitas. Pra mim, um recorde impressionante. Todos os vídeos que postei o ano passado, juntos, não tiveram tantas visualizações assim.
Mas isso só mostra a relevância dos comunicadores que, inseridos totalmente na nova mídia, movimentam uma massa de seguidores. Eu entre eles.
Faz bem essa inversão que a internet possibilita. Ser citado por quem se admira é sempre bom. Eu fiquei feliz.
E compartilho com vocês a minha alegria.
E confirmando os boatos que eu mesmo espalhei... O próximo vídeo sátira dos Sapo Brothers será com o Pânico. Seguindo os conselhos das críticas que recebi, trabalharei mais no roteiro dessa vez.
P.S.: O vídeo está no post anterior a esse. E a piada com o Marco Luque não é nada pessoal. Pelo contrário, é um dos meus preferidos do programa - e o único, até agora, que eu tive a honra de ver um show. E gostei muito.
...ele responde com o site oficial dos Sapo Brothers, o www.sapobrothers.net - hoje hospedado no UOL, dentro do portal Vírgula (sim, divido espaço com o Pânico na Internê, o que me dá muito orgulho).
Tenho um carinho muito grande pelo livro Menino Maluquinho, que li na infância. Gosto do personagem nos quadrinhos e tirinhas também.
Mas não só de Meninos Maluquinhos vive o velho cartunista. Seu trabalho com o Jeremias, o Bom, é sensacional. Li o álbum durante visitas diversas a livraria e só me faltou mesmo a oportunidade para adquirí-lo.
Suas piadas na revista Playboy também eram muito boas. Seu traço limpo, elegante porém agressivo é uma característica que suporta muito bem as mais diferentes temáticas e piadas.
Porém, em aspectos de gestão, Ziraldo deixa a desejar. A história empresarial do Pasquim - e quantos profissionais ele deixou na mão após prometer o que não poderia cumprir na primeira versão, e os pagamentos não realizados na segunda - revelam um cartunista que não se dá bem com números.
Não que isso o tenha prejudicado. Ziraldo tem seu cofrinho, e merecido. Seus trabalhos são valorizados e nada mais justo.
Mas ele recebeu uma indenização por conta da perseguição política que sofreu. Um milhão, mais cinco mil mensais vitalícios. A lógica dessa quantia é que ele poderia ter chegado muito mais longe se não fosse a ditadura.
Duvido, já que sem a ditadura, seu trabalho talvez fosse menos relevante, mas isso não vem ao caso.
O que eu aponto aqui é que um perseguido político recebe um montante respeitável de dinheiro por conta de algo que PODERIA ter acontecido.
Só que isso contraria um entendimento da justiça brasileira. O de que não se indeniza alguém pelo que "poderia" acontecer.
Um exemplo: Um cidadão perdeu um concurso público porque seu vôo foi cancelado. Ele foi indenizado pela companhia aérea, mas não recebeu o salário que ganharia caso tivesse passado no concurso pelo resto da vida. O que faz sentido, já que ele poderia NÃO ter passado.
Assim como o Ziraldo poderia NÃO ter chegado a editor chefe ou seja lá o que for que acham que ele seria se não tivesse sido perseguido.
Agora, outro exemplo: Um rapaz foi morto por um segurança de uma loja das Casas Bahia, no bairro de Campo Limpo, capital de SP. O rapaz, mal vestido, acompanhava a noiva - e mãe de seu filho de, na época, 5 meses - na compra de um colchão de casal. Foi tratado como potencial assaltande pelo segurança, bateu boca. Levou o tiro.
Pela lógica da indenização dada ao Ziraldo, essa mãe deveria receber uma pensão pelo menos até o filho completar 21 anos. Dada tanto pelas Casas Bahia como pela empresa de segurança terceirizada - afinal, neste caso, trata-se por "réu solidário". Ou vitalícia, caso ela fosse dependente do futuro marido.
Mas a justiça não entende assim.
Não para as pessoas normais.
Indenização de um milhão? Jamais. Chamam de enriquecimento ilícito.
Mas o Ziraldo recebeu um milhão. Talvez porque já tenha alguns, e aí não é tratado como enriquecimento...
Bem, ainda sou fã do Ziraldo. A culpa do milhão que ele recebeu e de sua mesadinha mensal não é dele. É de quem paga.
Paga a ele, mas não aos outros em situações ainda piores.
P.S.: O post foi feito porque li duras críticas a postura do Ziraldo em relação ao Simonal - no documentário sobre o músico que foi lançado semana passada. E, nessa crítica, a "mesadinha" é citada. Mas se me fosse oferecida, eu também aceitaria.
Não, não é a Maísa. É só um desenho que eu já tinha pronto.
Por duas vezes seguidas o comunicador Sílvio Santos, em seu programa dominical, expôs a apresentadora mirim Maísa a situações de choro.
Primeiro, pondo um garoto vestido de monstro pra entrar no palco e fazendo a garotinha correr chorando, assustada.
Segundo, na semana seguinte, repreendendo-a pela reação da semana anterior.
Não assisti nenhum dos dois episódios - exceto posteriormente pelo Youtube - mas acompanho as polêmicas. Inclusive da equipe do CQC que se recusou a exibir as imagens no quadro "Top Five" - onde Maísa é presença constante.
Tenho duas considerações a fazer. Primeiro: Não vejo tanta graça assim em assustar crianças. Mas pode ser de fato divertido, a depender de como acontece - e se vasculharmos os quadros como VídeoCassetadas do Faustão, é recorrente uma criança vítima de algo inusitado. Inclusive sustos.
E, por ser algo potencialmente divertido, pode render conteúdo. As pessoas gostam de ver e, quem se expõe, normalmente é recompensado de alguma maneira - mesmo que, na prática, sejam os pais da criança, e não a própria, a desfrutar do cachê.
A segunda consideração é sobre a reação das pessoas que consideram a situação vexatória. A psicologia tende a defender uma proteção a criança desproporcional ao que seria necessário para o seu amadurecimento. Crianças vão sofrer perseguição, vão brigar, se perceberão em desvantagem. Isso se chama crescimento. Pode acontecer em rede nacional, diante do dono de uma emissora, ou no parquinho do bairro.
A enorme diferença aqui é que todas as outras crianças não ganham 20 mil por mês - ou seja, em um ano, mais do que a maioria ganhará nos primeiros 10 anos de vida profissional, quando crescer.
Não que dinheiro pague tudo. Não paga. Mas a reação ao choro da Maísa não será um tanto exagerada?
Eu quando criança não passava sozinho na sala por medo da TV - só porque vi um comercial sobre o filme Poltergeist onde a mão fantasmagórica saía do aparelho.
E ainda me lembro de quando fiz meu primo arrancar o poster do Iron Maiden, numa noite em que fui dormir na casa dos meus tios, por medo do Eddie. Espero que ele um dia me perdoe por isso. Eu não.
Agora, sobre a reação do Ministério Público, de caçar a licença da Maísa trabalhar... Não vejo como deixar de ganhar os 20 mil mensais pode ajudar em alguma coisa...
Ah, em tempo: Sim, eu sei, crianças precisam de proteção. Mas isso cabe AOS PAIS, não ao resto do mundo, que não vai protegê-la quando ela crescer. E embora meu público alvo seja de crianças, eu não pretendo substituir o que deveria ser a função dos pais. E não acho que o Ministério Público, o Sílvio Santos ou a equipe do CQC deva fazê-lo.
Em tempo: Humilhação em local de trabalho é assédio moral. Cabe, contudo, a vítima - ou aos responsáveis por ela - entrar com uma ação indenizatória.
Eu, de minha parte, apenas não assisto. Mas simplesmente porque não gosto de crianças prodígio. Se todas fossem como o Jake de Two and a Half Man, seria muito mais legal.
Não gostamos quando elas fazem isso, principalmente se forem nossos filhos, mas isso acaba acontecendo, em algum momento.
Há pais que até acham graça quando a criança diz pela primeira vez. Parte da graça está justamente no fato de que a criança não sabe o significado o que está dizendo.
Contudo, o máximo que se puder evitar o contato da criança com termos pesados pode, supostamente, preservar sua inocência por mais tempo. Ou ao menos manter a imagem dos pais como bons educadores intacta.
O curioso é que em nosso idioma não existe "meio termo" para palavrão. Ou a palavra é pesada a ponto de que o ideal é nunca ser dita, ou ela não incomoda em nada. Principalmente os nomes dado as genitálias, que variam entre o "nome científico" e aquele que, se for dito na televisão, tira a emissora do ar.
Aí entra a questão dos quadrinhos. Vários abusam do recurso do palavrão - que, inclusive, na nossa literatura e dramaturgia, é bastante valorizado, até pelo impacto que causa. Claro, os quadrinhos focados no público adulto.
Um destes, "Dez na área, um na banheira e nenhum no gol", da Via Lettera Editora, foi erroneamente indicado para crianças da terceira série. Rendeu uma tremenda polêmica e aí sabemos que os quadrinhos ainda são vistos, prioritariamente, como coisa pra criança.
Mas, deixando esse episódio de lado, a questão que levanto é: E como tratar o palavrão para crianças, de fato?
Os desenhos que indicam palavrão estão sumindo dos quadrinhos infantis - a Turma da Mônica, mesmo, já não usa quase nunca.
Não sei dizer o quanto isso é ou não influência para o público alvo dos quadrinhos infantis, teoricamente bastante influenciável. Mas é um desafio escrever sem usar termos inadequados. E criar personagens que jamais xingariam me parece ainda mais complicado.
Até porque não é só o "xingar" que incomoda. Piadas maliciosas também são mal vistas hoje em dia, mesmo que nos anos 80 programas como Os Trapalhões abusassem do recurso sem nenhum prejuízo conhecido para a formação de toda uma geração.
Agora virou essa caça as bruxas. Tudo porque algumas crianças leram material que não foi pensado pra elas. E que oportunidade maravilhosa pra se tratar do tema "palavrão" - que elas ouvem, embora supostamente não entendam o significado - em sala de aula.
Mas pra isso precisaríamos de professores mais preparados. E uma sociedade menos moralista.
De minha parte, evito o tema. Mais por medo de perseguição e de censura do que por realmente acreditar que o material fica melhor sem.