A inversão da ordem de importância dos pratos me parece ser pra valorizar o fato de que tem, sim, comida na mesa, que embora não seja sofisticada costuma ser farta (não estou me referindo a pobres no sentido extremo, e sim no que o governo chama de "classe média").
Mas, numa refeição formal, o que é tratado as vezes até com pouco caso pelas donas-de-casa/mães-de-família/etc como "mistura" (e é dito por último como que sem importância) trata-se na verdade do PRATO PRINCIPAL.
Por isso a dificuldade de muita gente dessa classe social - a qual me incluo - quando em restaurantes "à la carte". Como escolher o que comer se não começa com "arroz... Feijão... Salada..." ?
Quando comecei a fazer animações, não trabalhava muito os roteiros. Basicamente adaptava piadas para o formato, tentando "amenizar" os efeitos mais adultos ou violentos.
Até pensava em uma ou outra gag, mas, como visto nesta aqui, não tinha muito sucesso.
Agora, com a oportunidade de um programa semanal, estou correndo para fazer volume. E reaproveitando material antigo, como essas que totalizam o bloco de animações a seguir:
Não são as piadas mais engraçadas do mundo - fato é que não chegam nem perto - mas não dá pra esconder debaixo do tapete o que ja foi feito.
Hoje li muita coisa sobre "finais" e "quebras de paradigmas". Uma delas sobre o modelo de negócios para conteúdo na web.
Sobre isso, falarei num próximo post.
Neste, quero falar sobre um negócio que já teve seu fim anunciado há tempos: Locadora de vídeo.
Com o aumento da oferta de internet band larga, há possibilidades de se baixar um filme e assistí-lo sem depender de cópias extras na locadora. E não me refiro a baixar uma versão pirata, mas a oferta dos próprios estúdios (que já é ensaiada com algumas tecnologias de streaming, por exemplo). Ainda nos parece ficção - ainda mais com a instabilidade da infra-estrutura nacional.
Mas, na prática, o que acontece é que, mesmo que se baixar filmes da internet fosse algo legalizado, há o trabalho de procurar legenda (e sincronizá-la), além de gravar o DVD para assistir pela TV, já que nem todos os computadores dão saída direto para TV e nem todos ficam confortáveis em assistir algo pelo micro.
TV a cabo, que também se popularizou bastante, ainda é proibitivo. Pelo custo da assinatura mensal dos canais de filmes, é possível alugar 10 lançamentos na rede de locadoras mais cara o pais. E dificilmente num mês acontecem 10 estréias que valham a pena entrar na conta. Além da diferença do tempo entre o lançamento do filme em DVD e sua exibição na TV paga.
Se considerarmos que o preço médio de R$ 5,00 por um aluguel de 3 dias, e que a diferença é relativamente pequena entre a saída do filme de cartaz nos cinemas e a chegada às locadoras, ainda vale, por algum tempo, o trabalho de ir até ela escolher o filme, ou reservar se ele não estiver disponível.
Sonhei durante uma viagem de ônibus - tenho a sorte de conseguir dormir, e bem, durante viagens longas de ônibus.
No sonho eu e minha noiva, já casados, conversávamos sobre um outro sonho que eu tive. Estávamos no banco de trás de um carro em movimento, o que me faz deduzir que seria um táxi - com isolamento entre nós e o motorista. E eu contava de um episódio dos Padrinhos Mágicos que fazia referência ao mágico de Oz. A música do episódio, contudo, é a de outro (Fairy Idol, onde o gênio da lâmpada disputa com Cosmo e a Vanda a vaga de padrinho mágico que está disponível).
Mas eu lembrei dessa série, que gostei muito de produzir. Os roteiristas. A idéia era adaptar o formato para fora do universo de quadrinhos. Mas como tirinhas seria mais fácil pra "mostrar".
Como foquei as tiras nos Sapos, acabei deixando essa "trupe" meio de lado. Mas é bom lembrar deles de vez em quando:
Nesta terça-feira, 7 de abril, a Telefonica teve um problema com o Speed em São Paulo. Conexões lentas ou inexistentes. O problema começou na hora do almoço (ou foi identificado neste horário). Pedindo uma previsão - que as empresas são OBRIGADAS a fornecer, sempre que se deparam com problemas técnicos, a resposta era "4 horas".
Acontece que, se você ligasse em qualquer momento, a resposta era a mesma: 4 horas. Aí eu perguntei: Quatro horas a partir de quando?
E a atendente - muito sincera - disse: "só tenho essa resposta, daqui a quatro horas". Ela já estava dando essa resposta há CINCO horas.
Não é culpa dos atendentes. É uma empresa terceirizada que só o que faz é repetir instruções de um manual. Mas a Telefonica se isenta desses problemas por completo, já que sequer dá resposta às reclamações feitas. Numa das ligações de ontem - foi o total de uma hora no telefone - um atendente ao invés de registrar um número de protocolo e ouvir a reclamação (que, além de ser sobre a descontinuidade do serviço, também foi sobre os 7 minutos de espera para ser atendido), simplesmente me transferiu de volta para a espera.
Quando liguei para reclamar do Miguel, o engraçadinho que antes de me transferir ainda perguntou se "eu estava ouvindo a musiquinha", descobri que se eu não soubesse o sobrenome dele - que ele não informou - ou o número do protocolo registrando o atendimento - que ele também não preencheu nem me informou - nada seria feito.
Pedi o telefone da ouvidoria, algo que o próprio Miguel teria recomendado que eu tentasse. E descobri que os atendentes só fornecem o número da ouvidoria se um supervisor autorizar.
Ou seja, um 0800 que deveria vir na conta de telefone só é fornecido se os atendentes - terceirizados - concordarem com a sua reclamação (inclusive sobre eles).
Bem, o número da ouvidoria da telefonica é:
0800 775 1212
Ficou claro?
0800 775 1212
Mais uma vez:
0800 775 1212
É preciso ter um protocolo na mão e ligar entre as 8h e as 17h. Mas...
0800 775 1212
Ouvidoria telefonica. Pra reclamar deles quando não atendem direito.
Eu criei o personagem há vários anos, junto com a montagem do site.
Clicando na imagem, é possível ir para a primeira história longa com Sócrates, o Canguru.
Ele foi criado pra ser uma "versão do Pernalonga", trazendo o mesmo clima dos Looney Tunes. Um canguru que fugiu do zoológico quando filhote e passou a viver no sertão brasileiro, perto de uma reserva indígena. Claro que não fiz uma pesquisa exaustiva sobre onde localizá-lo geograficamente, estava apenas tentando salvar as piadas. Não que tenham muitas, mas...
Como personagem de tira, eu não trabalhei mais nele. Concentrei as tiras com os Sapo Brothers, que, afinal, são os personagens principais do site e essa pulverização que eu fiz no começo não se mostra útil pra divulgar, propagar e, se Deus quiser, licenciar os personagens.
Mas, se quiserem ver algumas das tiras antigas do Sócrates, basta clicar na imagem abaixo:
Sempre achei estranho o tal "Complexo de Édipo". Descrito originalmente por Freud (pai da psicanálise) e designado por Jung, faz parte dos conteúdos primordiais da psicologia.
Eu não sou psicólogo e sequer tenho simpatia pela profissão. Mas gosto do assunto. E foi aí que tomei uma certa surpresa ao ler a história do Édipo...
Na mitologia grega, Édipo foi o cara que matou o pai, tomou o seu lugar e dormiu com a própria mãe.
A imensa maioria dos homens fica bastante desconfortável que isso faça parte da "programação básica da natureza masculina" - exceto talvez os filhos da Angelina Jolie...
Lendo "O universo, os Deuses, Os homens", de Jean-Pierre Vernant, descobri coisas interessantes sobre o tal Édipo que batizou esse pra lá de discutível complexo:
Um resumão da história mitológica (me recuso a usar o termo "estória") do dito cujo:
Édipo é filho de Laio e Jocasta, reis de Tebas. Laio recebeu a profecia de que, se tivesse um filho, ele o mataria e dormiria com a própria mãe. Desde então evitou "chegar até o fim" com a esposa (ou sabe-se lá quais os métodos anticoncepcionais da mitologia grega). Mas um dia, bêbado, chega junto da patroa e meses depois lá está o bebezinho destinado a matar o pai e dormir com a mãe.
Laio faz o que qualquer um faria em seu lugar. Manda matar o bebê. Mas o carrasco escolhido - um pastor que deveria deixar a criança nas montanhas para os animais devorarem - se compadece do bebê (provavelmente porque foi a hora que o nenenzinho escolheu para aprender a sorrir - pouco provável se considerar que estava com o calcanhar perfurado, por onde passava uma correia e permitia qu ele fosse carregado como caça miúda).
Ele entrega a criança a um outro pastor, de Corinto. Este leva a criança - sem saber extamente sua procedência - como presente ao rei Pólibo e a rainha Peribéia, que não podiam ter filhos.
Édipo cresce como filho dos reis, mas sempre existe o murmúrio a boca pequena - fofoca é dose - de que ele não é de fato filho do rei. Quando vai a um oráculo perguntar a respeito, este evita a resposta (afinal, se o rei não contou, não é um súdito que vai se meter a besta).
Mas esse oráculo acaba contando a profecia a respeito de Édipo. Que ele mataria o pai e dormiria com a mãe.
Édipo teve a mesma reação que qualquer um de nós teria quando confrontando com essa possibilidade. Achou um absurdo. Mas os oráculos não erravam na época e ele, pra fugir desse terrível destino, vai embora, se afastar o máximo possível da possibilidade de matar o rei Pólibo e dormir com a rainha Peribéia. Afinal, ele não sabia que era adotivo.
No caminho, uma discussão de trânsito entre Édipo, agora um errante (mas arrogante como todo filhinho-de-papai criado como príncipe) e a comitiva do rei Laio (arrogante como todo rei) resulta na morte do cocheiro e do rei de Tebas. Sim, Édipo matou o próprio pai, mas ele não sabia que era o seu pai. Laio tampouco imaginava que o rapaz que o matou era seu filho - que, afinal, ele mandou a morte muitos anos antes.
Laio estava inclusive indo ver o tal oráculo, buscando a solução para um probleminha que Tebas estava passando... Quando Laio saiu, era peste. Quando Édipo chega a Tebas, o problema é a Esfinge. Aquele ser com corpo e patas de leoa e cabeça e seios de mulher que estava devorando todos os jovens da cidade que não respondiam corretamente aos enigmas que propunha.
O irmão de Jocasta - e tio de Édipo, mas que, é sempre bom lembrar, nenhum deles sabia disso - está oferecendo a mão da rainha para quem conseguir vencer a Esfinge.
Sim, Édipo vence a Esfinge. Ela pergunta o que é que tem dois pés, três pés e quatro pés. Édipo responde que é o homem - engatinha quando criança, anda em dois pés quando adulto e usa uma bengala quando velho. A esfinge se mata e Édipo recebe o prêmio: a mão da rainha Jocasta. Sua própria mãe.
O resultado do casamento de Édipo e Jocasta gera dois filhos - e muitos problemas para Tebas. O incesto real foi punido com anos de desolação sobre Tebas, e Édipo - agora o rei - vai atrás de um oráculo que pudesse dar uma dica de como resolver o problema.
A resposta é: Vingar a morte do rei Laio. Édipo se encarrega de buscar o assassino do rei. Não encontra, e a histórias sobre a morte do rei Laio dizem que ele foi atacado por bandidos - o que diminuía a dúvida de Édipo que aquele que matou na estrada anos antes seria o rei de Tebas. Édipo chega a tentar expulsar seu tio - que reinava antes dele assumir - supondo que a morte do rei foi uma tentativa do cunhado em tomar o poder.
Em meio a essa confusão, um emissário de Corinto chega anunciando a morte do rei Pólibo e da rainha Peribéia, e convocando Édipo a assumir o trono. Édipo se sente aliviado de que a profecia de que ele mataria o pai e dormiria com a mãe não se cumprira, afinal... Quando o mensageiro o confirma de sua suspeita de infância: Ele era adotivo.
Jocasta se dá conta do que aconteceu. Se enforca. Édipo chega ao palácio após tentar comprovar a história - e conseguir, encontrando inclusive o pastor que lhe deu quando bebê, poupando sua vida. Diante da mãe/esposa morta, Édipo cega a si mesmo.
O curioso dessa história é que Édipo não "desejou" a própria mãe, não enfrentou o próprio pai para tomar o seu lugar ou todas as "liberdades" tomadas sobre a mitologia pra justificar a idéia de que todo homem tara a própria mãe. Ele inclusive fugia dessa possibilidade e, se o fez, o fez sem saber quem era seu pai e quem era sua mãe.
Longe de mim querer questionar fundamentos centenários da psicologia e psicanálise. Mas ao que tudo indica, Édipo não sofria de Complexo de Édipo...
Há 10 anos, essa era uma das imagens que ilustrava a página principal do site. Naquele tempo, a divisão do site limitava-se aos links para seções com cada um dos personagens - inspirado no site do Laerte.
A imagem, mapeada, permitia que, clicando em cada uma das esculturas, fosse mandado pras seções de tiras. Tem mais, vou colocando mais por aqui aos poucos.
No clima dos 10 anos do site, essa animação tem MAIS de 10 anos:
Não era boa na época, mas eu estava começando. Não que tenha melhorado muito, mas ao menos eu conto as histórias de forma INTEIRA agora, seja isso melhor ou não...