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Quem sabe em 2010?
As discussões sobre jogo feio e jogo bonito parecem fugir completamente do bom senso.
Na minha concepção, jogo bonito é consequência de uma equipe bem treinada, onde seus jogadores demonstram talento, habilidade e ousadia.
O futebol expetáculo que os cronistas alegam ser fantasia de torcedor que não entende nada do esporte nada mais é do que o jogo bem jogado. Estratégias bem feitas, passes precisos, posicionamento correto em campo são a base de qualquer time, e quando duas seleções se enfrentam devidamente organizadas, temos os jogos enfadonhos e técnicos que, tal qual disse Juca Kifouri em seu blog, mais parecem jogos de xadrez.
O que falta? Ousadia. Aquela coragem de enfrentar a marcação, jogar a bola prum lado e correr pro outro. Dançar na frente do zagueiro. Roubar a bola no meio de campo e partir para o ataque. Deixar que as habilidades e perícias dos jogadores sejam usadas em prol de alcançar a rede adversária.
A ousadia, claro, gera riscos. Quem ataca abre a defesa, e em campeonatos mundias um único deslize (como uma meia por ajeitar) pode custar a vitória e, consequentemente, o sonho.
Mas perder um jogo disputado com vontade, com riscos, assumindo-se a postura de batalha campal (em tantas comparações bélicas que o futebol nos traz) é diferente de ganhar um jogo esquemático, amarradinho, preso, acovardado. E foi assim que a seleção brasileira jogou. E, numa análise dessa copa, quase todo mundo preferiu a técnica fria e calculista. Curiosamente, somente os times mais fracos puderam lançar seus jogadores com talento individual como diferenciais. E estes obtiveram, senão os melhores desempenhos, ao menos o show mais comovente. Não dá pra ignorar o péssimo desempenho da França, que por pouco não fica na primeira fase. Foi justamente na mais desacreditada das seleções outrora campeãs que, diante dos times mais fortes, revelou-se que sua estrela em pré-aposentadoria ainda tinha competência pra brilhar. E o Kaká, estrela brasileira em ascensão, um dos poucos que jogaram muito dentro do possível, excetuando-se o último jogo, ainda hoje procura a bola que lhe fugiu num chapéu que gostaríamos que fosse a nosso favor.
O Brasil tentou jogar como os europeus. Mas não é porque a esmagadora maioria do elenco mora e atua na europa que aquele esquema funcionaria. Porque não é assim que brasileiro joga bola.
Chapéu, dribles da vaca, bicicletas, fintas, pedaladas... Seriam bem vindos, claro. Mas não era o que a torcida estava cobrando.
Só queríamos assistir a um bom jogo de futebol. Equilibrado, disputado, emocionante.
O que sempre será pouco provável com técnicos retranqueiros a frente da equipe, e sem jogadores irreverentes o suficiente para, chamando toda a responsabilidade para si, desvirtuar as ordens do chefe e fazer o que tem que ser feito. Quem diria que sentíriamos um dia a falta de Romário?
Por:
Rafael B.
às
19h21
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