Nada é exatamente como esperávamos...
Sonhava, quando criança, em ser desenhista de histórias em quadrinhos.
Na minha cabeça infantil, bastava seguir os passos daquele que era o maior desenhista que eu conhecia. Sim, claro, Maurício de Sousa (cuja admiração, embora tenha perdido os tons de exageros, ainda permanece). E, bem, tal como o mestre, tentei fazer tiras pra jornal. Consegui por alguns meses, mas não era um trabalho remunerado. Não me parecia um caminho.
Dediquei atenção aos estudos, tentando ainda de vez em quando criar personagens e colocá-los na mídia.
O tempo foi passando. As vezes conseguia algo, mas muito raramente.
E veio a internet. Com ela, alguns louros. Destaque em portais, mídia impressa reconhecendo minha existência. Até a folha chegou a publicar algumas linhas.
Surgiu a chance de desenhar um livro de quadrinhos. Não era uma história própria. Apenas uma co-autoria. Um projeto ousado, porém que requer muito tempo e investimento sem previsão de retorno. Não dá pra viver disso.
Com a internet, a possibilidade de animar os desenhos. Os desenhos, então, passaram na TV. Em diversas e destratadas ocasiões. Hoje, trabalho na TV. Tem desenho meu toda semana. Vinhetas, clipes, games. Curtos. Não são personagens meus. Raramente são roteiros meus.
Ou seja, por mais que eu tenha atingido tudo o que sonhei, nada sequer se aproxima do que eu esperava que fosse...
E ainda é muito melhor do que poderia ter sido..
Por:
Rafael B.
às
21h54
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