Sobre a Bienal do Livro...
Visitei a décima nona Bienal do livro ontem, domingo, e gostaria de compartilhar minhas impressões.
Primeiro: Se alguém aqui já escreveu algum livro (ou colaborou com a edição de algum) e seu nome aparece na capa, créditos, contra-capa ou qualquer outro lugar da obra, leve-a. Isso vai lhe garantira a entrada com um crachá de "profissional do setor" ou "autor" (se for o caso). Te impede de pegar a fila sobrehumana que assolou a entrada do Anhembi (em alguns momentos a espera chegou a ser calculada em uma hora) e também lhe dá uma entrada gratuita.
A Bienal, aliás, está se consolidando como um evento muito perto do inútil. Alguns stands se dignificam a oferecer R$ 1,00 de desconto proporcional a cada real pago para entrar (R$ 10,00 o ingresso normal, R$ 5,00 o de estudante). Desde que esse desconto seja proporcional a 10% do valor comprado. Ou seja, a cada R$ 10,00 gastos num determinado stand (participante da "promoção"), você recupera R$ 1,00 pago da entrada. Só vale para livros (revistas não).
O estacionamento variava entre R$ 15,00 e R$ 30,00. Próximo das 17 horas, levava cerca de 30 minutos para conseguir parar o carro. Minha dica é estacionarem perto do galpão da Vai-Vai, na rua mesma (estava altamente policiada no domingo, e as ruas dali estavam cheias de vagas - porém ficam a quase dois quilômetros da porta). Ou tentarem pegar os ônibus gratuitos a partir do metrô Tietê. Porém, preparem-se para perder MUITO tempo, e passar por tremendos desconfortos.
Dentro da Bienal, a área de descanso é um chão. E nada mais. A praça de alimentação não fornece mesas e cadeiras fucientes, portanto evitem a fome lá dentro. Ou terão que comer no chão. E preparem-se para pagar caro por qualquer petisco.
Os stands e os corredores também não forneciam área para sentar e apreciar as obras recém compradas (exceto o setor infantil da Turma da Mônica, extremamente disputado).
Aliás, as crianças foram as únicas beneficiadas nesta Bienal. Os encalhes de algumas lojas e editoras garantiram ofertas bem interessantes (revistas da Mônica chegavam a custar R$ 1,00 - um pacote com duas).
As demais editoras fizeram esquema de loja. A Sextante, que trabalha com as obras do Dan Brown (autor da moda agora, responsável pelo Código Da Vinci), cobrava mais caro que o stand das Americanas.com (que trabalhou com o mesmo preço do site). Só para dar um exemplo. Conrad, Devir, Martins Fontes, Record e tantas outras não ofereciam nenhum desconto significativo.
Não cheguei a pegar nenhuma das palestras ou sessão de autógrafo. Mas não acho que valem o valor da entrada, mais o estacionamento e mais a fila. Fila que nenhum stand ficou sem. Lugares abafados, bagunçados, alguns sem preço visível (tendo que se apelar para ajuda de monitores bastante atarefados) entre outros problemas.
Enfim, não sei mais qual o motivo da Bienal. Não tem promoção de preço, não tem nenhum evento relevante e o evento pecou, este ano, por nem colocar sinalização externa para os que não conheciam o caminho (o que não faltou na última, quando usou o pavilhão imigrantes, em minha opinião uma opção muito melhor).
Aliás, a sinalização interna, dividindo as "ruas" por uma sequencia de letras em um dos sentidos e de letras por outro (parecendo uma batalha naval gigante), competia com os banners suspensos de editoras, fazendo com que algumas vezes sequer se soubesse em que lugar se está. Fila no banheiro feminino e falta de sabonete líquido no masculino.
Quem for mesmo assim, prepare-se para uma jornada árdua, pouco gratificante e cara.
A bienal do livro infantil, realizada no final do ano passado, deu de dez. Foi no Ibirapuera, tinha exposição de artes de HQ e promoções imperdíveis.
Enfim, para mim, não ficou claro pra que serve as bienais. As editoras não contavam com representantes para atender os autores e profissionais da área, apenas vendedores. As sessões de autógrafos eram disputadíssimas e não dava nem pra falar mais que um "sou eu fã", "adoro seu livro" ou similar. E as inscrições para as palestras exigiam duas horas de antecedência.
Seria um domingo perdido, não fosse a oportunidade que eu tenho de repassar o que vivi.
Abraços
Rafael Dourado www.sapobrothers.net
Por:
Rafael B.
às
14h52
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