Os autores de quadrinhos: Airon, Alecrim, Aline Silva, Alex Sander, Brum, Carriero, Cedraz, Daniel Trezub, DJota, Ed Sarro, Ferd Martins, Gilmar, Humberto Pessoa, Ian, Luigi Rocco, Mastrotti, Marcos Venceslau, Maurício Rett, Marcos Noel, Moisés, Pedro Krause, Rose Araújo, Rafael Dourado, Rice, Rodrigodraw, Verônica Saiki e Waldomiro Neto foram indicados ao23º TROFÉU HQMIX (o “Oscar” do quadrinho nacional) na categoria Publicação de Tira, com o livro Tiras de Letra Nota 10, da Editora Virgo.
A entrega do Troféu acontece todos os anos, em São Paulo no SESC Pompéia, no dia 15 de setembro, apresentado por Serginho Groisman.
Se essa informação for verdadeira, e, supostamente, é, nada é mais digno de receber incentivo governamental para existir do que um projeto que tenha como função difundir poesia.
Explico: Na minha concepção, o apoio governamental a projetos da área cultural se mostra necessário sempre que determinado traço da cultura nacional mostre dificuldades em existir por si mesma... Ou seja, que não tem um mercado consumidor que permita que a produção cultural continue existindo por si mesma, sem algum tipo de apoio.
Apoio, no caso, "governamental", por assim dizer. Seja por injeção direta de dinheiro, seja por leis de incentivo de renúncia fiscal, que permite que parte do dinheiro que deveria ser pago em imposto de renda seja direcionado a um projeto que dê, inclusive, visibiliade para a própria empresa.
Desta forma, um projeto que prevê divulgar poesia - e de graça - é, mesmo, muito mais "urgente" para ter apoio governamental do que, por exemplo, um projeto de humor (que já teria um "mercado consolidado" e condições de existir gerando lucro para seus criadores).
Aliás, outras manifestações culturais, seguindo este raciocínio, na teoria não precisariam de incentivo fiscal para acontecer. Podemos citar o cinema. Não que filmes não sejam cultura. Mas mesmo os "comerciais", o cinema que visa grandes bilheterias, hoje, possuem apoio de leis de incentivo.
Cabe dizer que quase todas as áreas culturais brasileiras dispõe de algum tipo de caminho que viabilize esse apoio governamental, seja com direito de captação de recursos, seja o de diminuição de impostos - como o do mercado editorial.
Retornando ao raciocínio original, uma manifestação cultural que tem pouca abrangência - pouca procura, pouca oportunidade de gerar público, renda, ou seja, de existir por conta própria - mas que seja considerada necessária para a cultura nacional, deve, sim, receber ajuda governamental.
E há defensores ferrenhos que a poesia seja, sim, um produto artístico necessário. E, como sabemos, não é necessariamente lucrativo (exceto quando falamos de música, mas aí entendo que se trata de outro assunto).
Desta forma, um projeto que vise divulgar poesia é um candidato ideal para ser capitalizado por estímulos governamentais.
E aí chegamos ao projeto do blog da Maria Bethânia. O valor orçado parece alto, principalmente por ser um projeto que prevê vídeos para internet que, sabemos, são feitos por valores infinitamente mais modestos tanto por amadores quanto por profissionais...
Mas o projeto previu o cachê de profissionais com certo "pedigree" - imagino que a começar pela própria Maria Bethânia, passando pela Conspiração Filmes que vai finalizar os vídeos e que não tem a obrigação de trabalhar de graça.
Portanto, não há nada de errado com a aprovação do Ministério da Cultura em permitir que Maria Bethânia e equipe captem recursos - que já são previstos no orçamento como destinados para a cultura, não gerando um rombo nos cofres públicos, como o imaginado.
Na verdade, mal comparando, do ponto de vista das empresas que "investem" parte do imposto que deveriam pagar em cultura - com a divulgação da própria marca - seria como se parte do IPVA que eu pago eu pudesse reverter em melhorar a rua em frente a minha garagem. Ou em desconto em estacionamento em zona azul...
Um adendo importante: Pessoalmente, não tenho nada contra Maria Bethânia. Embora ela pra mim tenha a mesma relevância que a Tetê Spíndola (só vale pelas imitações que gera). E eu concorde com o Lobão em considerar a MPB e seus "representantes" um movimento arrogante, prepotente, elitista e superestimado.
Mas a culpa está em quem superestima, e não nos que se aproveitam disso.
Ok, talvez um pouco de culpa ao Caetano Veloso, mas é só birra pessoal. Se tivesse a oportunidade de ficar cara-a-cara com o dito, não falaria nenhuma ofensa de forma audível...
E por último, o Will Leite fez um concurso sorteando uma camiseta estampada com a caricatura do autor que fizesse o desenho dele que ele mais gostasse. Por ser fã do trabalho do sujeito, segue aqui a minha homenagem:
O meu ex-professor e amigo Gian Danton questionou o texto, comentou - onde eu mesmo já havia comentado antes - e foi considerado um troll. No seu blog, ele pondera sobre o ocorrido: http://ivancarlo.blogspot.com/2011/03/fanatismo-em-blog.html
Eu voltei ao blog e, desta vez, fiz um comentário mais completo:
" A autora do blog decidiu que Lobato é racista e Ziraldo idem, e não há
argumento que a convença do contrário. Parece chateada que seus argumentos tenham a mesma resistência por parte de quem deles não concorda, como no caso do Gian Danton.
Pelo visto, só está disposta a escrever para quem faça parte de seu próprio grupo. Talvez a internet seja plural demais para esse tipo de restrição. "
Comentário que foi removido e que recebi a singela resposta: "tchau troll, tenta de novo".
Curioso que meu primeiro comentário, muito mais provocativo, continua lá:
" Há um termo para resumir esse artigo: mimimi. Há muito do que se criticar Ziraldo. Racismo não é um deles. E ir achincalhar Lobato nem de longe me parece o jeito mais eficiente de atrair SIMPATIA a causa. Já atenção, sem dúvida. Talvez fosse só esse o objetivo."
Não se deve bater palma pra maluco, nem dar espaço demasiado pra quem só quer fazer barulho, mas achei que esse espaço do blog seria adequado pra ponderar sobre o ocorrido.
Cabe lembrar que eu faço parte de uma minoria... Daqueles que não estão em minoria nenhuma. Portanto, não posso objetivar sobre o que é pra alguém ser humilhado ou destratado por conta da cor de sua pele. Mas concordo que se deva coibir esse tipo de comportamento - e a uma lei bastante rigorosa para dar cabo dessa conduta.
Mas essa caça às bruxas só me faz lembrar o enredo de Fahrenheit 451 - onde, num futuro não muito distante, todos os livros devem ser queimados, já que toda literatura tem potencial para ofender alguém.
O amigo Rafael Marçal, do site www.profeticos.com (e twitter @rafaelmarcal) está comemorando, neste mês de dezembro, dois anos do site no ar.
Ele convidou os colegas de traço a fazer uma versão de algum personagem do site. Como, há algumas semanas, trocamos tweets sobre animação, resolvi fazer, ao invés de um desenho de seus personagens, uma animação com eles. Não tivemos o Briggs como dublador, mas eu e minha esposa quebramos um galho no áudio e está aí a homenagem.
Lembro vagamente quando o Casseta e Planeta estreou o programa solo na Globo, uma vez por mês, no Terça Nobre - horário após a novela das oito, toda terça-feira, que exibia intercalado diferentes programas de humor. Revezavam com o Casseta o "Comédia da Vida Privada", baseado em contos do Veríssimo, entre outros produtos diversificados.
Até um conto do Stanislaw Ponte Preta, "A desinibida do Grajaú", entrou nesse espaço de experimentação - conto que foi refeito em 2010 na série As Cariocas - e que ocupou, novamente, as noites de terça.
Dentro estes programas, o Casseta foi o que imediatamente tornou-se sucesso - a ponto de uma participação dos integrantes no programa do Faustão, na época, fez o apresentador revelar que a emissora tinha, sim, interesse em transformar o programa deles em semanal - algo que eles ainda não se sentiam confortáveis para fazer.
E relembrando este programa, é possível traçar paralelo com quase todos os programas de humor que surgiram mais de uma década depois.
Ao ver as entrevistas sacanas do CQC a políticos, imediatamente lembro de quando, munidos de pá e picareta, dois integrantes do Casseta entravam pela esplanada dos Ministérios, em Brasília, pra desenterrar a caveira de burro que supunham estar amaldiçoando o lugar.
Até mesmo o apelo erótico de modelos seminuas chegou a passar pelo Casseta, assim como no caso do Pânico. Um striptease de uma modelo vestida como torneiro mecânico - e com a narração simulando o jeito de falar do Lula - ocuparam 5 minutos de um dos primeiros programas. Outra referência direta da turma do Pânico são as oportunidades de zombar os populares, atividade contínua dos primórdios do Casseta.
Isso sem falar nas redublagens de filmes (Casseta e Planeta Pictures), gracejo que futuramente a MTV replicou com a turma do Hermes e Renato.
Histórico no humor o grupo tinha. Além de redatores do extinto - e até hoje relembrado - TV Pirata, também trabalharam - agora já diante das câmeras - no programa Dóris para Maiores.
Um dos primeiros momentos deste grupo diante das câmeras foi fazendo a cobertura de carnaval. Ao menos foi a primeira vez que me lembro de ter ouvido o nome "Casseta e Planeta", nas chamadas da Globo para o evento.
Influência Monty Phyton era facilmente percebida, embora a estrutura do programa trouxesse similaridade com o americano Saturday Night Lives - principalmente em quadros "fixos" como os anúncios dos produtos Tabajara e a sátira do noticiário (modelo que a MTV também replicou com sucesso em seu Furo MTV).
Cabe dizer que na TV, lembrando o Chacrinha, nada se cria, tudo se copia. Os Cassetas beberam de diversas fontes e dessa mistura fizeram algo com uma cara própria.
Assistíamos noticiários sempre atentos para qualquer assunto mais absurdo, e já imaginarmos imediatamente "o que o Casseta falaria sobre o assunto na terça-feira". Por vezes, ríamos por antecipação imaginando as piadas que surgiriam.
Durante toda a história o programa, eles mantiveram aquele humor juvenil, imaturo, que costumo tratar como "as piadas da quinta série". Duplos sentidos, a busca por deixar o "oponente" humilhado - para, logo em seguida, ser humilhado por ele também.
Além de toda a carga possível do anedatório popular. Piadas de paulistas, gaúchos, baianos... Esquetes menos elaboradas, mais rápidas, mais objetivas e por vezes, muito mais ácidas - a ponto do grupo ser "persona non grata" em algumas cidades país a fora.
Defitivamente, não faziam o "humor do bem". E isso se mostra também nas colunas que publicam em jornal, onde a escatologia e o humor de forte apelo sexual são constantes.
Muitos entenderam a morte do humorista como um baque fatal no grupo. Sem dúvida interferiu bastante na imagem do programa, e a falta do humorista, de longe o mais carismático, se fez sentir na audiência.
Mas a meu ver, o Casseta começou a trilhar um caminho de esvaziamento de sua qualidade quando, por conta da pressão do programa semanal, passou a se basear exageradamente em personagens fixos. O que muitos associam imediatamente ao humor do tipo Zorra Total e Praça é Nossa. A piada que caminha apenas para a repetição do bordão - defendido ferozmente por diretores da Globo como o "humor que funciona".
A despeito da rejeição que programas como Zorra Total e Praça é nossa causam no público mais "elitizado", ou que assim gostam de se definir, é inegável que o espaço junto a um público fiel - e numeroso - ainda existe.
E foi fácil notar que os Cassetas trilharam esse caminho "tradicional" do humor televisivo - e isso já acontecia com a presença do Bussunda, que interpretava o Marrentinho Carioca no pior time do mundo, ou o parceiro do Maçaranduba com as piadas do tipo "vou dar porrada".
Os policiais americanos, a cantora de axé, a dupla de funkeiros, o esquadrão de super heróis... Personagens que, não fosse pelo conteúdo um pouco mais "pesado", poderiam facilmente fazer parte de programas de humor da "velha guarda".
Mesmo assim, alguns momentos do grupo serão lembrados por muito tempo. A entrevista coletiva a Luana Piovani, quando de sua primeira participação no grupo. Bussunda fazendo o personagem Lula, pedindo mais uma cachacinha... Os trocadilhos com o então presidente Viajando Henrique Cardoso. O inesquecível Itamar que sempre perguntava se "é pro Fantástico?"
Isso sem contar as sátiras da novela - que por vezes me faziam assistir a novela só para entender as piadas, e que por muito tempo foram o principal atrativo do programa. Que não poupava nada da grade da emissora...
Talvez o programa não faça tanta falta hoje, já que seus filhotes em outras emissoras superam em irreverência o que a estrutura "quadrada" da Globo não comporta.
Mas a reformulação que causaram no humor televisivo nacional se mostra ainda atual.
Não sei se terão fôlego para se reiventarem. Mas sem dúvida se tem um grupo capaz de fazê-lo são eles.
O jeito é esperar. E lembrar, com saudades, os grandes momentos...